Sobre o projeto

O projeto originado do TCC (trabalho de conclusão de concurso) desenvolvido ao longo do ano de 2010 pelos estudantes Guilherme Januário, Marcelo Koga e Leonardo Leite, sob a orientação do Prof. Dr. João José Neto, todos do departamento de engenharia de computação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, tem por objetivo a criação de uma ferramenta de tradução automática que converta um texto em português para uma sequência de sinais em LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais, utilizada como forma de comunicação pelos surdos do país.

O tradutor desenvolvido pretende não apenas fazer uma tradução palavra por palavra, o que geraria o chamado português sinalizado, o que é muito diferente da LIBRAS, mas sim realizar uma tradução da frase que leve em conta as diferenças de estruturas sintáticas entre as duas línguas, de forma a gerar uma saída mais compreensível aos surdos, uma vez que é essa diferença que torna difícil a leitura de textos em português pelos surdos.

Na prática, a ferramenta funciona tendo como entrada uma sentença em português e como saída uma sequência de animação gráfica 3D.

Hoje em dia, para a adição de um contúdo em LIBRAS em algum web site, é necessário o caro e dispendioso processo de se gravar um vídeo com algum intérprete de LIBRAS. Com o desenvolvimento da tecnologia do Poli-Libras, esperamos que no futuro seja possível a criação de um plug-in para que administradores de páginas web possam inserir facilmente conteúdos em LIBRAS em seus sites, promovendo a acessibilidade de conteúdo na web aos surdos brasileiros.

Uma grande preocupação do projeto foi desenvolvê-lo de forma modular, pois uma vez que o código-fonte está aberto ao público, espera-se que partes do sistema possam ser reaproveitadas por outras aplicações voltadas à comunidade surda ou aplicações de processamento de linguagem natural. Um desses módulos é o WikiLibras, um dicionário português – LIBRAS online colaborativo que, de forma similar à Wikipedia, permite aos usuários criarem e editarem sinais em LIBRAS. Esses sinais cadastrados podem ser acessados diretamente por qualquer software, através da tecnologia de WebServices.

Para a realização do projeto, a equipe contou também com um apoio multidisciplinar de professores e estudantes de áreas como computação gráfica, design, letras e fonoaudiologia. Em especial, o módulo sintetizador de sinais (a ponta final do sistema, que mostra os sinais através de computação gráfica), denominado Virtual Jonah, foi desenvolvido em parceria com a estudante de design da FAU, Helôisa Yoshioka.